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Banco de dutos no Civil 3D: como modelar em 3D e automatizar o projeto elétrico subterrâneo

Como modelar um banco de dutos no Civil 3D, que não tem um objeto próprio: corredor, rede de tubulação ou sólidos, e como automatizar o projeto elétrico.

Zeist··Atualizado em ·11 min de leitura
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Civil 3D · Banco de dutos elétrico

O Civil 3D não tem um botão para desenhar banco de dutos. Por isso quase todo mundo ainda o desenha em 2D.

E em 2D não se vê que o banco de média tensão passa a 10 cm do coletor de esgoto. Este guia explica as formas reais de modelar um banco de dutos em 3D, qual convém em cada projeto, e o que dá para automatizar.

O banco de dutos é a rede que ninguém modela

Num projeto urbano convivem água, esgoto, drenagem, gás, telecom e energia. As redes de água e esgoto têm ferramentas próprias no Civil 3D. O banco de dutos não.

O resultado é previsível: água e esgoto são modelados em 3D, mas o banco elétrico fica como uma linha em planta e um corte típico numa prancha de detalhes. Ninguém sabe a cota exata em cada ponto, e os cruzamentos com as outras redes são resolvidos na obra.

É aí que aparece o problema caro: a vala do banco encontra um coletor que não estava onde se supunha, ou o banco não passa sob uma adutora sem quebrar o recobrimento mínimo. Reprojeto em campo, com a equipe parada.

O que acontece quando o banco fica em 2D

Linha em planta

Sem profundidade real

Corte típico no detalhe

Igual em todo o percurso

Cota suposta

Ninguém conferiu

Cruzamento descoberto na obra

Reprojeto com a vala aberta

O banco de dutos em 3D, em 6 blocos

O que precisa ser modelado, as três formas reais de fazer no Civil 3D, o que um plugin automatiza e por que os cruzamentos com outras redes justificam o esforço.

  1. 01Conceito

    O que modelar

    Matriz de dutos, envelope, profundidade, caixas e vala

  2. 02Opções

    As três formas de fazer

    Corredor, rede de tubos paralelos ou sólidos 3D

  3. 03Diagnóstico

    Onde o tempo se perde

    Seções tipo, transições, perfil e quantitativo

  4. 04Solução

    O que faz um plugin

    Do traçado e do tipo de banco ao modelo 3D com quantitativo

  5. 05Interferências

    Cruzamentos com outras redes

    Colisões e afastamentos mínimos, que não são a mesma coisa

  6. 06Ação

    Plano para começar

    Padronizar bancos, escrever regras e testar em 3D

Um banco de dutos não é um tubo: é um conjunto de várias peças, e cada uma importa para algo diferente.

A matriz de dutos. Linhas e colunas: 2x2, 2x3, 3x4. Cada duto com seu diâmetro e posição. É o que define quantos circuitos cabem.

O espaçamento entre dutos. O que a especificação exigir para dissipação de calor e para o concreto fluir.

O envelope de concreto. Com seu cobrimento acima e ao lado dos dutos. Define a largura e a altura reais do banco e, portanto, com o que ele colide.

A profundidade. Recobrimento mínimo da superfície acabada até o topo do envelope. Muda sob a pista e sob o passeio.

As caixas de passagem. Em cada mudança forte de direção, nas emendas e a cada distância máxima para permitir o puxamento dos cabos.

A vala. Largura e profundidade de escavação, que é o que se mede e se programa na obra.

O Civil 3D não tem um objeto dedicado a bancos de dutos. Na prática se usam três caminhos, e cada um serve para algo diferente.

1. Corredor com uma seção tipo do banco. A seção (dutos mais envelope) é desenhada como um assembly, normalmente com o Subassembly Composer, a ferramenta da Autodesk para criar seções tipo próprias. O corredor a repete ao longo do alinhamento e do perfil. É o caminho mais nativo: o banco acompanha o traçado e geram-se seções e volumes de escavação e concreto.

2. Rede de tubulação com dutos paralelos. Cada duto é modelado como um tubo de uma rede, deslocado em relação ao eixo. Permite usar a verificação de interferências de redes do Civil 3D e rotular cada duto. Mas manter 6 ou 12 tubos paralelos sincronizados quando o traçado muda é trabalhoso, e o envelope de concreto não existe como objeto.

3. Sólidos 3D por varredura. Varre-se a seção do banco ao longo de uma polilinha 3D. É rápido e o resultado fica bom na coordenação com outras disciplinas. Mas é um objeto morto: não se atualiza quando o traçado muda e não se rotula.

CritérioCorredor com seção tipoSólidos 3D por varredura
Atualiza se o traçado mudaSimNão, é preciso refazer
Volumes de escavação e concretoSim, do corredorSó o volume do sólido
Seções transversaisAutomáticasNão
Esforço inicialAlto, é preciso criar a seção tipoBaixo
Coordenação com outras disciplinasBoaBoa
Dutos individuais rotuláveisParcialNão

Uma seção tipo por configuração. Um projeto real tem vários bancos: 2x2 em baixa tensão, 3x3 em média tensão, variantes sob a pista e sob o passeio. Cada um é uma seção tipo que alguém precisa construir e manter.

As transições. Onde o banco muda de configuração, entra numa caixa de passagem ou cruza uma via, a seção muda. Cada transição é um ajuste manual do corredor.

O perfil. O banco precisa respeitar o recobrimento mínimo e, ao mesmo tempo, passar por cima ou por baixo de cada rede que cruza. Definir esse perfil à mão, cruzamento por cruzamento, é lento e fácil de errar.

As caixas de passagem. Posicioná-las em cada mudança de direção e cumprir a distância máxima entre elas.

O quantitativo. Metros de duto por diâmetro, metros cúbicos de concreto e escavação, número de espaçadores e caixas. Costuma sair de uma planilha desconectada do modelo.

TarefaAutomatizadaManual
Criar o banco a partir da configuraçãoEscolher o tipo e prontoConstruir a seção tipo
Transições e caixasPor regra ao longo do traçadoUma a uma
Perfil respeitando cruzamentosCalculado contra as outras redesCruzamento por cruzamento
Quantitativo de dutos, concreto e escavaçãoTabela do modeloPlanilha à parte
Refazer após mudança de traçadoExecutar de novoRefazer tudo

Um plugin sob medida transforma o banco de dutos em algo que se escolhe e se gera, em vez de se desenhar.

O que ele faz:

  1. Pega o traçado. Uma polilinha em planta ou um alinhamento existente.
  2. Pega a configuração. O tipo de banco: matriz, diâmetros, espaçamentos, recobrimentos. Idealmente de uma tabela com os tipos padronizados da sua concessionária.
  3. Calcula o perfil. Acompanha o terreno com recobrimento mínimo e, onde cruza outra rede, desce ou sobe para respeitar o afastamento exigido. Se não há solução possível, marca o cruzamento em vez de forçar uma cota.
  4. Gera o modelo 3D. Dutos individuais, envelope de concreto e vala.
  5. Posiciona caixas de passagem nas mudanças de direção e quando a distância máxima é superada.
  6. Entrega o quantitativo. Dutos por diâmetro, concreto, escavação, reaterro, espaçadores e caixas.

Do traçado ao banco modelado

Traçado em planta

Polilinha ou alinhamento

Tipo de banco

Matriz, diâmetros, recobrimento

Perfil contra cruzamentos

Afastamentos respeitados

Modelo 3D e quantitativo

Dutos, concreto, vala, caixas

Se existe um único motivo para levar o banco de dutos para 3D, é este.

Um banco elétrico quase sempre cruza água, esgoto e drenagem. Em cada cruzamento há regras: afastamento mínimo entre rede elétrica e de água, qual rede vai por cima, que proteção se exige. Essas regras vêm das normas técnicas aplicáveis e das especificações de cada concessionária.

Em 2D, esses cruzamentos aparecem como duas linhas que se tocam em planta. Não dá para saber se há conflito.

Em 3D, com todas as redes modeladas na cota real, cada cruzamento pode ser conferido:

  • O Civil 3D inclui uma verificação de interferências para redes de tubulação.
  • Para coordenar todas as redes juntas — incluindo o banco modelado como corredor ou sólido — o usual é levar o modelo ao Navisworks e rodar a detecção de conflitos.
  • Um plugin pode conferir diretamente os afastamentos mínimos entre o banco e cada rede, que é o que realmente importa e o que a detecção de colisões não mede.

Semana 1 · Padronize seus bancos. Liste as configurações que o escritório ou a concessionária usa: matriz, diâmetros, espaçamentos, recobrimentos, sob a pista e sob o passeio. Uma tabela.

Semana 2 · Escreva as regras de cruzamento e de caixas. Afastamentos mínimos com cada tipo de rede, distância máxima entre caixas, raio mínimo de curvatura dos dutos.

Semana 3 · Modele um banco real. Com um corredor e uma seção tipo, ou com uma rotina de Dynamo. Compare o quantitativo com o que você já entregou.

Semana 4 · Confira os cruzamentos em 3D. Junte o banco com as redes de água e esgoto do mesmo projeto e confira afastamentos. O que você encontrar ali é o argumento para automatizar.

Recursos relacionados

Perguntas frequentes sobre banco de dutos no Civil 3D

É um conjunto de tubos enterrados, organizados em linhas e colunas, por onde passam cabos elétricos ou de telecomunicações. Normalmente os dutos ficam envolvidos num envelope de concreto que os protege, com espaçadores que mantêm a distância durante a concretagem. São usados em redes de média e baixa tensão, iluminação e telecom.


Foi útil? Compartilhe com quem coordena as redes no seu escritório. O primeiro cruzamento encontrado em 3D costuma pagar o exercício inteiro.

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