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Redes de tubulação no Civil 3D: água, esgoto e conexões (joelhos, tês, junções) em 3D

Como modelar redes de água e esgoto no Civil 3D com curvas, tês e junções em 3D, por que os tubos não são desenhados e o que dá para automatizar.

Zeist··Atualizado em ·13 min de leitura
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Civil 3D · Redes de água e esgoto

Desenhar a rede em planta leva uma tarde. Colocar cada joelho, tê e junção em 3D leva uma semana.

E cada vez que o traçado muda, essa semana recomeça. Este guia explica como o Civil 3D modela redes de água e esgoto, onde o tempo realmente se perde, e que parte dá para entregar a um plugin que coloca as conexões sozinho.

O desenho em planta não é o modelo

Quase todo escritório projeta redes de água e esgoto do mesmo jeito: polilinhas em planta, uma layer por diâmetro, blocos 2D para as conexões e uma planilha de quantitativos à parte.

Funciona para a prancha. Mas não é um modelo. Não sabe a que profundidade vai cada tubo, não sabe se um joelho de 45° realmente cabe naquela deflexão, e não sabe que duas redes se cruzam na mesma cota.

Levar isso para 3D no Civil 3D é possível — o programa tem ferramentas específicas — mas fazer à mão tem um custo que quase ninguém mede:

  • Criar a rede trecho por trecho a partir das polilinhas
  • Escolher cada conexão conforme o ângulo e o diâmetro do nó
  • Ajustar profundidades para respeitar o recobrimento mínimo
  • Rotular tubos, conexões e PVs
  • Contar as conexões para o quantitativo
  • E quando o traçado muda, refazer tudo

O fluxo manual que se repete a cada revisão

Polilinhas 2D

Uma layer por diâmetro

Rede peça por peça

Horas de cliques

Conexão por conexão

Ângulo, diâmetro, material

Quantitativo à mão

E de novo se o traçado muda

Da polilinha 2D à rede 3D com conexões, em 7 blocos

Como o Civil 3D modela redes de água e esgoto, onde o tempo se perde e que parte faz um plugin que coloca curvas, tês e junções sozinho.

  1. 01Conceito

    Gravidade e pressão

    Esgoto e água não se modelam do mesmo jeito

  2. 02Peças

    As conexões

    Curvas, tês, cruzetas, junções, reduções, registros e de onde vêm

  3. 03Diagnóstico

    Onde o tempo se perde

    Escolher cada conexão, recobrimento, rótulos e quantitativo

  4. 04Solução

    O que faz um plugin

    De polilinhas por layer a rede 3D com conexões por regra

  5. 05Requisitos

    As regras prévias

    Material, recobrimento, ângulos, tê ou junção, declividades

  6. 06Erros

    Problemas mais buscados

    Tubos que não se desenham e listas de peças que não sincronizam

  7. 07Ação

    Como começar

    Plano de 4 semanas sem travar os projetos

O Civil 3D não trata uma rede de esgoto igual a uma de água, porque elas não se comportam igual. Vale entender isso antes de automatizar, porque as regras mudam completamente.

Rede por gravidade (esgoto sanitário e pluvial). Quem manda é a declividade. Os tubos vão de PV a PV em linha reta, e a cota de cada trecho depende da declividade mínima e da profundidade dos PVs. As conexões aparecem sobretudo nas ligações: junções e curvas para conectar os ramais prediais.

Rede pressurizada (água, adutoras, recalques). Quem manda é o recobrimento: o tubo acompanha o terreno a uma profundidade mínima. Aqui as conexões são o centro do projeto: cada mudança de direção é um joelho, cada derivação é um tê, cada mudança de diâmetro é uma redução, e ainda há registros e hidrantes.

AspectoRede por gravidadeRede pressurizada
ExemplosEsgoto sanitário e pluvialDistribuição de água, adutoras, recalques
O que controla a cotaDeclividade entre PVsRecobrimento sobre o terreno
EstruturasPVs, caixas, bocas de loboCaixas de registro, hidrantes
Conexões típicasJunções e curvas nas ligaçõesJoelhos, tês, cruzetas, reduções, registros
Objeto no Civil 3DRede de tubulaçãoRede de pressão
Onde mais dói à mãoCotas e declividadesEscolher cada conexão

Uma conexão não é um desenho: é uma peça que se compra. Por isso o modelo precisa usar as peças que existem de verdade no catálogo do fabricante, com diâmetros e ângulos reais.

As que aparecem em quase toda rede:

  • Joelhos e curvas de 11,25°, 22,5°, 45° e 90°. Não existe curva de 37°. Se o traçado deflete 37°, é preciso decidir: combinar peças, usar a deflexão que a junta do tubo permite, ou ajustar o traçado.
  • Tês. Derivação a 90°. Na rede de água, cada ramal que sai da principal.
  • Cruzetas. Duas derivações opostas no mesmo ponto.
  • Junções. Derivação em ângulo, normalmente a 45°. É a peça típica das ligações de esgoto.
  • Reduções. Mudança de diâmetro na mesma linha.
  • Tampões. Fechamento da ponta de uma linha.
  • Registros e hidrantes. Não mudam a geometria, mas ficam sobre a rede e entram no quantitativo.

De onde vêm no Civil 3D. O programa traz catálogos de peças com tubos e conexões por material (PVC, ferro fundido, PEAD, conforme o catálogo). Desse catálogo você monta uma lista de peças para o projeto: os diâmetros e materiais que vai usar. Se um diâmetro não está na lista de peças, o Civil 3D simplesmente não consegue desenhá-lo.

Pergunte a um projetista de saneamento o que mais consome horas e ele raramente responde desenhar. Ele cita tudo o que vem depois.

1. Escolher a conexão certa em cada nó. Uma rede urbana de água pode ter centenas de nós. Em cada um é preciso olhar o ângulo, os diâmetros que chegam e saem, e decidir a peça: curva de 22,5°, tê de redução, cruzeta. Trabalho mecânico, mas com cem decisões por prancha.

2. Respeitar o recobrimento em todo o percurso. Onde o terreno sobe ou desce, a tubulação precisa acompanhar sem ficar rasa nem funda demais. À mão se confere por amostragem, e sempre sobra algum trecho sem conferir.

3. Refazer quando o traçado muda. Uma rua se desloca, um registro muda de lugar, um diâmetro muda. Cada alteração arrasta conexões, cotas e rótulos.

4. Rotular. Diâmetro, material, comprimento e declividade em cada trecho; tipo em cada conexão; cotas em cada PV.

5. Contar as peças. O quantitativo de conexões — quantas curvas de 45° em DN 100, quantos tês de 150 x 100 — quase sempre sai contando na prancha. É a tabela com mais erros de todo o projeto.

TarefaAutomatizadaManual
Criar a rede a partir das polilinhasMinutosUm ou dois dias
Escolher cada conexãoPor regra, em cada nóNó por nó
Conferir recobrimentoRede inteira, semprePor amostragem
Refazer após mudança de traçadoExecutar de novoRefazer tudo
Quantitativo de conexõesTabela gerada do modeloContagem na prancha
Risco de peça que não existeNenhum, vem do catálogoAlto

Aqui está a mudança de fundo. As ferramentas nativas do Civil 3D permitem criar uma rede a partir de uma polilinha, mas a decisão de qual peça vai em cada nó continua sendo sua. Um plugin feito para o seu escritório aplica as suas regras em todos os nós de uma vez.

O que ele faz, passo a passo:

  1. Lê a sua prancha 2D. Pega as polilinhas de cada layer (uma por diâmetro e material, como você já trabalha) e as interpreta como trechos.
  2. Cria a rede no Civil 3D. Rede de pressão para água, rede de tubulação para esgoto, com as peças da sua lista.
  3. Escolhe a conexão de cada nó por regra. Mede o ângulo da deflexão e o leva à curva comercial mais próxima. Se chega um ramal, coloca tê ou junção conforme o tipo de rede. Se muda o diâmetro, coloca a redução. Se não existe peça válida, avisa em vez de inventar.
  4. Ajusta as cotas. Na água, acompanha o terreno com recobrimento mínimo. No esgoto, respeita declividades mínimas e profundidades de PV.
  5. Rotula com o estilo da sua empresa.
  6. Gera o quantitativo de conexões: tabela por tipo, ângulo, diâmetro e material, pronta para o orçamento.

O mesmo trabalho, com plugin

Polilinhas por layer

Sua prancha de sempre

Rede 3D com peças reais

Do catálogo do projeto

Conexões por regra

Curva, tê, junção, redução

Tabela de conexões

Pronta para o orçamento

O plugin aplica regras; não as inventa. Estas são as que precisam ser escritas antes de automatizar, de preferência em uma página aprovada pela equipe:

Material e catálogo por diâmetro. Qual material o escritório usa em cada faixa de diâmetros e de qual catálogo saem as peças.

Recobrimento mínimo e profundidade máxima. Para a rede de água, quanto o tubo precisa ficar enterrado sob a pista e sob o passeio.

Ângulos permitidos. Até que deflexão a junta do tubo absorve e a partir de quando se coloca curva. O que fazer quando a deflexão cai entre duas curvas comerciais.

Tê ou junção. Quando uma derivação se resolve com tê e quando com junção. No esgoto, a junção é a regra nas ligações; na água, o tê.

Declividades e PVs. Para esgoto: declividade mínima por diâmetro, distância máxima entre PVs, degrau mínimo no PV. Para verificar a lâmina, a velocidade e a tensão trativa de cada trecho, use a nossa calculadora de Manning.

Normas. As normas técnicas aplicáveis e os padrões da concessionária de saneamento.

Algumas buscas se repetem em todos os fóruns. Quase sempre têm a mesma causa, e quase nunca é erro do programa.

O Civil 3D não desenha os tubos. O mais comum: a lista de peças não tem o diâmetro ou material que você está tentando usar, ou a rede está sendo criada em modo só estruturas. Confira a lista de peças antes de tudo.

A lista de peças não sincroniza com o catálogo. Costuma acontecer quando o catálogo está em outro caminho (por exemplo, numa pasta de rede) ou quando cada computador aponta para um catálogo diferente. É preciso fixar o caminho com o comando de definir o catálogo da rede e usar o mesmo em todo o escritório.

As conexões não se ligam ao tubo. Diâmetro ou tipo de junta incompatível entre peça e tubo no catálogo. O Civil 3D não conecta peças que na realidade não encaixam.

As regras jogam as cotas para lugares impossíveis. Em redes por gravidade, regras de recobrimento e de declividade que brigam entre si. A rede cumpre uma e quebra a outra.

Semana 1 · Centralize catálogo e lista de peças. Um único caminho para todo o escritório. Uma lista de peças por tipo de rede, com os diâmetros e materiais que vocês realmente usam.

Semana 2 · Escreva as regras. Uma página: materiais, recobrimentos, ângulos, tê ou junção, declividades. Que dois projetistas revisem.

Semana 3 · Teste com uma rede real. Pegue um projeto terminado, gere a rede com as regras (no Dynamo ou com um plugin piloto) e compare o quantitativo de conexões com o que você já entregou. As diferenças mostram qual regra falta.

Semana 4 · Use em um projeto em andamento. Com conferência manual em paralelo. Meça quantas horas levou e quantas levava antes.

Se a economia for clara e a ferramenta for usada em todo projeto de saneamento, aí se justifica o plugin instalável para toda a equipe.

Recursos relacionados

Perguntas frequentes sobre redes de tubulação no Civil 3D

Há dois caminhos. Desenhá-la com as ferramentas de criação de redes, trecho por trecho, ou criá-la a partir de um objeto existente, por exemplo uma polilinha da sua planta 2D. Em ambos os casos você precisa antes de uma lista de peças com os diâmetros e materiais do projeto, e de uma superfície de terreno para que a rede ganhe cota. Para esgoto usa-se a rede de tubulação (por gravidade) e para água a rede de pressão.


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