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Curvas de nível no Civil 3D: do Google Earth e dos modelos de satélite ao seu levantamento, passo a passo

Como obter curvas de nível no Civil 3D: por que o Google Earth não exporta o terreno, que modelo de elevação usar e como criar a superfície passo a passo.

Zeist··11 min de leitura
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Civil 3D · Superfícies e curvas de nível

Curvas de nível não se desenham: saem de uma superfície. Tudo depende de como você a constrói.

De um modelo de satélite para o estudo preliminar ou do seu levantamento para o projeto, o caminho no Civil 3D é o mesmo: superfície primeiro, curvas depois. Este guia explica cada rota, que precisão esperar de cada uma e como evitar os erros que mais se repetem.

O problema de sempre: você precisa de curvas antes de ter a topografia

Acontece em quase todo projeto de infraestrutura. Antes do levantamento é preciso decidir por onde passa a estrada, onde cabe o reservatório ou quão íngreme é a encosta. Para isso bastam curvas aproximadas, mas é preciso consegui-las.

A busca típica é curvas de nível do Google Earth. E aí começa a frustração: o Google Earth mostra o relevo, mas não o entrega.

Os dois caminhos até as curvas de nível no Civil 3D

Modelo de elevação ou levantamento

DEM, pontos ou linhas de quebra

Superfície no Civil 3D

A base de tudo

Estilo com curvas

Equidistância e mestras

Rótulos e pranchas

Pronto para o projeto

Do Google Earth e do levantamento às curvas no Civil 3D, em 7 blocos

De onde tirar o terreno quando não há topografia, como criar a superfície em cada caso, como configurar as curvas e como resolver os erros mais buscados.

  1. 01Dados

    Google Earth e as alternativas

    Por que ele não exporta o terreno e que modelos abertos usar

  2. 02Passo a passo

    Superfície a partir de um DEM

    Sistema de coordenadas, arquivo de elevação e recorte

  3. 03Passo a passo

    Superfície a partir de uma malha de pontos

    Do gerador ou de qualquer CSV no formato PNEZD

  4. 04Projeto

    Superfície a partir do levantamento

    Grupos por código, linhas de quebra e contorno

  5. 05Apresentação

    Estilos e rótulos

    Equidistância, curvas mestras, suavização e rótulos

  6. 06Erros

    Erros mais buscados

    Curvas que não aparecem, superfícies no mar, picos e zigue-zagues

  7. 07Ação

    Automatizar

    Quando se repete em todo projeto: Dynamo ou plugin

O Google Earth Pro mostra a cota do ponto sob o cursor, mas não exporta curvas de nível nem o terreno. Não existe um botão para baixar o relevo de uma área.

O Civil 3D já teve um comando para importar a superfície do Google Earth, mas as versões atuais não o incluem. Por isso tantos tutoriais terminam em programas pagos, como o Global Mapper, ou em complementos.

O que funciona: um modelo digital de elevação aberto. São os dados de relevo globais, publicados para download:

  • SRTM (NASA): cobre quase todo o mundo com malha de cerca de 30 m. É baixado grátis no portal EarthExplorer do USGS.
  • Copernicus GLO-30 (programa europeu Copernicus): global, também de 30 m e mais recente.
  • ALOS AW3D30 (agência espacial japonesa): outra alternativa global de 30 m.
  • Fontes nacionais: no Brasil, o Topodata do INPE oferece o SRTM refinado para estudos regionais.

Sobre a precisão. O SRTM tem precisão vertical especificada de ±16 m. Serve para planejar — estudos preliminares, viabilidade, traçados iniciais, TCC —, mas não para o projeto executivo nem para calcular terraplenagem. Para isso é preciso levantamento.

Se você baixou um arquivo de elevação (por exemplo, um GeoTIFF do SRTM), o Civil 3D o transforma em superfície diretamente.

  1. Configure o sistema de coordenadas do desenho. Nas configurações do desenho, aba de unidades e zona, escolha a categoria UTM com datum WGS 84 ou SIRGAS 2000 e o seu fuso. Para o Rio de Janeiro, o fuso 23 Sul.
  2. Crie uma superfície TIN vazia no Prospector.
  3. Adicione o arquivo de elevação. Na definição da superfície, Arquivos DEM, adicione o arquivo. O Civil 3D aceita .dem (USGS), GeoTIFF (.tif), ESRI ASCII Grid (.asc ou .txt) e ESRI binário (.adf).
  4. Informe o sistema de coordenadas do arquivo. Se o modelo vem em latitude e longitude, atribua esse sistema: o Civil 3D o transforma para o do desenho ao construir a superfície. Sem este passo, a superfície aparece em outro lugar do mundo.
  5. Recorte a área. Os modelos globais vêm em mosaicos grandes. Adicione um contorno à superfície para ficar só com a área do projeto: ela pesa menos e é desenhada mais rápido.

Uma malha regular de pontos é a forma mais simples de levar um modelo de elevação para o Civil 3D, e é o que o nosso gerador entrega.

  1. Importe os pontos: guia Inserir, Pontos de arquivo, formato PNEZD delimitado por vírgulas. Se o arquivo não entrar, veja importar pontos no Civil 3D a partir do Excel, CSV ou TXT.
  2. Crie um grupo de pontos com eles. Se o arquivo traz a descrição TN (terreno natural), você pode filtrar por ela.
  3. Adicione o grupo à superfície: na definição da superfície, Grupos de pontos, Adicionar.
  4. Defina o estilo com as curvas de que precisa (veja o passo 5).

Vantagem em relação ao DXF de curvas: com os pontos, o Civil 3D reconstrói o terreno e você controla a equidistância, o estilo e os rótulos. O DXF de curvas serve se você só precisa do desenho ou vai usá-lo no AutoCAD.

Para o projeto, a superfície sai do levantamento: estação total, GNSS, drone ou LiDAR. A ordem importa:

  1. Importe os pontos com os códigos de campo (TN, BV para borda de via, EIXO etc.).
  2. Monte grupos de pontos por código. Assim você decide quais pontos entram na superfície do terreno e quais não, como os de estruturas ou árvores.
  3. Adicione as linhas de quebra. Bordas de via, sarjetas, muros, fundos de vale: as polilinhas ou linhas características que o terreno deve respeitar. Sem elas, o Civil 3D liga pontos através de um muro ou de um canal e as curvas mentem.
  4. Adicione o contorno externo. Evita os triângulos longos que se formam nas bordas, fora da área medida.
  5. Revise os triângulos antes de olhar as curvas. Um ponto com cota 0, um ponto duplicado ou um código mal digitado aparecem na hora na vista de triângulos.

As curvas de nível são uma forma de ver a superfície, e são controladas no estilo:

  • Equidistância das intermediárias e das mestras. Por exemplo, 1 m e 5 m num levantamento urbano; 20 m e 100 m com um modelo de satélite numa região montanhosa.
  • Regra prática: que caibam umas 20 curvas na área. Divida o desnível por 20 e arredonde para 1, 2, 5, 10, 20 ou 50 m.
  • Suavização. Melhora o desenho, mas não a precisão: não inventa informação que o levantamento não tem.
  • Rótulos. Com os rótulos de curva de nível múltiplos, você traça uma linha que cruza as curvas e o Civil 3D rotula cada uma.
FonteModelo de satélite (SRTM)Levantamento topográfico
Malha ou densidadeCerca de 30 mConforme o levantamento, de centímetros a poucos metros
Precisão vertical±16 m especificadaCentímetros
CustoGrátisTrabalho de campo
TempoMinutosDias
Equidistância razoável10 a 50 m0,5 a 2 m
UsoEstudo preliminar e viabilidadeProjeto, licitação e quantitativos

O Civil 3D não mostra as curvas de nível. Três causas frequentes: o estilo da superfície não tem as curvas ativadas (mostra só a borda ou os triângulos); a superfície está vazia porque a definição não foi construída; ou a equidistância é tão pequena diante do desnível que as curvas se juntam numa mancha.

A superfície aparece em outro lugar ou no mar. O sistema de coordenadas do desenho não coincide com o dos dados: pontos em latitude e longitude num desenho em UTM, ou o fuso ou o hemisfério errados.

Aparecem triângulos longos nas bordas. Falta o contorno externo, ou convém limitar o comprimento máximo dos triângulos nas opções de construção.

Há picos ou poços impossíveis. Pontos com cota 0, pontos duplicados com cotas diferentes ou vazios do modelo de elevação não excluídos.

As curvas saem em zigue-zague. A equidistância é fina demais para a resolução dos dados, ou faltam linhas de quebra em bordas e canais.

Se o seu escritório monta superfícies toda semana, o procedimento é sempre o mesmo: importar pontos com os mesmos códigos, criar os mesmos grupos, adicionar as linhas de quebra por código, aplicar os estilos da empresa e rotular. É exatamente o tipo de tarefa que se automatiza.

  • Com Dynamo, para validar a rotina rápido. Veja 10 scripts de Dynamo para Civil 3D que resolvem tarefas desse tipo.
  • Com um plugin, quando todo o escritório usa: um botão na barra superior do Civil 3D que faz o processo completo com as suas regras.

O guia para automatizar o Civil 3D mostra o mapa completo do que se pode automatizar, dos pontos às pranchas.

Recursos relacionados

Perguntas frequentes sobre curvas de nível no Civil 3D

O Google Earth não exporta o terreno nem as curvas, e as versões atuais do Civil 3D não importam mais a superfície dele. A alternativa é um modelo digital de elevação aberto, como o SRTM ou o Copernicus GLO-30, ambos com malha de cerca de 30 m; no Brasil, o Topodata do INPE também é uma opção. Você pode adicionar o arquivo a uma superfície do Civil 3D como DEM ou usar o nosso gerador gratuito de curvas de nível, que entrega as curvas em DXF e uma malha de pontos PNEZD em coordenadas UTM.


Foi útil? Compartilhe com quem monta as superfícies no seu escritório. E teste o gerador de curvas de nível com a área do seu próximo projeto.

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